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Conto de Natal

por Bruno Custódio, em 21.12.11

III

 

O relógio marcava os últimos minutos do dia 24 e já Jardim dormia na sua cama. Sonhava com euros e com dólares. Até que algo terrível acontece. O despertador toca. Até para uma pessoa má como Jardim é um duro castigo. Jardim acorda sem se aperceber que nem sequer tinha programado o despertador para tocar e carrega no botão "Snooze" e sente um papel em cima do botão. Estranho, visto que ele não se lembrava de ter colocado nada lá em cima. Jardim acende a luz da mesinha de cabeceira e repara que o papel em cima do despertador era uma nota de 5000 escudos. Estava ainda meio a dormir e nos primeiros segundos nem se lembrou de que o escudo já não existia e que aquela nota não devia estar ali. Jardim ouve uma voz:

 

-Feliz Natal!

 

Jardim, supostamente sózinho em casa, olha à sua volta mas não vê sinais de vida naquele quarto.

 

-Aqui na tua mão direita.

 

Jardim olha para a nota e deixa-a cair no chão, assustado.

 

-O meu nome é Vasco da Gama, vivo na nota de 5000 escudos.

-Aaaaaaaaaaaa

-Sou o fantasma do Passado, fui enviado para te dar o melhor Natal possível.

-Mas.. Estou a sonhar..

-Não. Creio que foste avisado da minha chegada, enviá-mos um aviso pelo Facebook.

-Um aviso?

-Sim, não leste a mensagem daquela imagem que falava de tesouro e coração?

-Aquela mensagem irritante?

-Sim.

-Aquilo era um aviso?

-Bem, o nosso criativo entrou a semana passada na empresa e ainda não consegue fazer maravilhas.

-Eu estou a sonhar, vou masé dormir.

-Não podes ir dormir.

-Porquê? Eu estou na Madeira. EU MANDO AQUI! EU FAÇO AQUILO QUE EU QUISER!

-Tu estás sob o meu controlo. Fazes o que eu quiser e eu quero ir dar um passeio.

-Queres ver as maravilhosas decorações de Natal que eu comprei?

-Não, vamos dar outro tipo de passeio.

-Que tipo de passeio?

-Um passeio ao teu interior, ao teu passado.

-Para quê?

-Isso tens de descobrir sózinho.

-Não me apetece. Se não te calas vou enviar-te pela sanita a abaixo.

 

Vasco da Gama morde Alberto João Jardim na mão.

 

-F****. Pra quê esta m****?

-Pensavas que só usava esta boca para morder? Agora que já percebeste que estás acordado, vamos passear!

 

E assim foi. Alberto João Jardim vê uma luz verde que se envolve à sua volta e lhe encadeia os olhos. Quando a luz desaparece, Jardim vê-se numa Madeira 60 anos mais nova, uma Madeira que lhe recorda a sua infância.

 

-Este parece o bairro onde cresci. Onde estamos?

-Estamos no bairro onde tu cresceste.

-Como é que é possível, o bairro foi reestruturado.

-Não estamos em 2011.

-Como assim?

-Estamos em 1960.

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